Conhecimento, o que é? E daí?

By BruceBlaus. When using this image in external sources it can be cited as: Blausen.com staff. "Blausen gallery 2014". Wikiversity Journal of Medicine. DOI:10.15347/wjm/2014.010. ISSN 20018762. (Own work) [CC BY 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by/3.0)], via Wikimedia Commons
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O conhecimento é processado pelo cérebro e a neurociência avança em sua compreensão.
By BruceBlaus. When using this image in external sources it can be cited as: Blausen.com staff. “Blausen gallery 2014”. Wikiversity Journal of Medicine. DOI:10.15347/wjm/2014.010. ISSN 20018762. (Own work) [CC BY 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by/3.0)], via Wikimedia CommonsConhecimento, o que é isso?
Uma das coisas mais intrincadas para entender a ciência é o conceito de conhecimento. O que é conhecimento? Uns dizem que tudo é relativo, outros dizem que a verdade é absoluta, tem quem diga que a realidade não existe. Essa discussão não resolve nada para quem deseja fazer um trabalho acadêmico sem explorar esses assuntos específicos. Portanto,vou tentar simplificar a ideia de conhecimento para definirmos conhecimento cientifico que é o que nos interessa.

Conhecimento é entendimento da razão das coisas. Se você entende a razão inteligente por trás das coisas você conhece aquela coisa. Um animal não é inteligente, até que provem o contrário, pois não pode entender a razão das coisas. O animal apenas reage à razão das coisas mas não consegue entende-­las.

● Só o conhecimento científico é válido?

Sendo que o conhecimento é o entendimento da razão das coisas. Cada pessoa entende de coisas diferentes, logo, existem vários tipos de conhecimento. Dizer que somente a ciência é conhecimento é um erro de principiantes. A essa altura do campeonato você não pode dizer isso, pois não é mais um principiante, está colando grau, não é verdade?

● Outros tipos de conhecimento

Costumam citar alguns saberes mais comuns que são o religioso, artístico, filosófico, técnico e cientifico. Eu explicaria para você que sendo que o conhecer é o entendimento da razão das coisas logo:

1. O conhecimento religioso é o conhecimento da razão do sentido último, ou transcendente, das coisas
2. O conhecimento artístico e o conhecimento da razão da possibilidade das coisas
3. O conhecimento filosófico é o conhecimento da razão em si, o sentido, apesar das coisas.
4. O conhecimento técnico ou tecnológico é o conhecimento da razão prática das coisas
5. Enfim, o conhecimento científicos é o conhecimento da razão na relação restrita entre as coisas

Para abreviar, um religioso conhece Deus, o artista cria uma obra de arte, o filósofo busca o sentido de “ser ou não ser”. Na prática nenhum desses conhecimentos pode ser provado a partir de um teste de veracidade incontestável.

A religião se baseia no teste da fé, o artista na criatividade, o filósofo na razão formal que só podem ser entendidas de forma abstrata, por intuição. Intuição é o ato de contemplar algo e a entender por uma razão natural ao pensamento humano sem necessidade de teste fora das operações mentais.

O saber tecnológico é um pouco diferente, pois toda técnica é prática, mas a técnica é ou cria ferramentas, mas não se preocupa em entender a ferramenta. Por exemplo, um carpinteiro sabe para que serve um martelo e, desde que o martelo seja bom, não interessa de que metal é feito o martelo. Por outro lado, um industrial se preocupará em fazer martelos melhores com materiais mais baratos, ai entra a ação da ciência.

Durante toda a história da humanidade os conhecimentos conviveram de forma concomitante. A diversidade de saberes é característica humana desde a mais remota antiguidade.

● A peculiaridade da ciência

O cientista se preocupará em investigar qual material reage melhor com o material do prego e da parede para fazer qualquer objeto de metal mais eficiente. O cientista não quer conhecer o martelo, mas a relação do material do martelo com seus usos possíveis.

Agora, imagine que o industrial quer investir no trabalho do cientista. O industrial vai desembolsar capital, portanto, precisa saber se a descoberta será útil para não jogar dinheiro fora junto com sua reputação de bom fabricante de martelos.

O que o industrial pede ao cientista? Ele quer garantias de que o novo metal funciona, pelo menos, com o dobro da eficiência do outro metal. Aí está a utilidade do método científico: afirmar com maior grau de certeza que uma relação entre coisas é verdadeira.

● O método científico é extremamente limitado

Observe que o método científico estuda a relação entre as coisas, mas não estuda as coisas em si, pois precisa fazer experiencias. É impossível experimentar as coisas, pois para fazer isso, o cientista teria que se tornar a própria coisa para fazê­lo de maneira pratica.

A única forma possível para a ciência de fazer demonstrações da veracidade de alguma coisa é pela experiência externa, pois um cientista não pode virar um martelo.

● A ciência é superior aos outros saberes?

Quando alguém te disser que “tudo é relativo” tentando desmerecer a religião, por exemplo, cuidado! Esta pessoa está generalizando a ciência como única forma de saber possível coisa que, como já vimos, é bobagem. Concluindo, o conhecimento científico é entender as relações entre as coisas de forma muito específica com experimentos repetitivos de resultado sempre previsível.

Se um cientista inventar um novo metal para fazer martelos que batem pregos de ferro ele só vai saber sobre o prego de ferro. Se você perguntar a ele se pode bater pregos de aço com a mesma eficiência ele vai investigar tudo de novo e, talvez, traga uma resposta diferente. O prego de aço torna a pesquisa anterior inconclusiva, pois ninguém ainda investigou a relação do novo metal com o aço.

O conhecimento científico é portanto, provisório, e um dos conhecimentos mais pobres e restritos. Não se empolgue pensando que a ciência vai mudar o mundo, pois quem faz diferença é a técnica, a tecnologia, a arte, a filosofia e até mesmo a religião que vão discutir, ou aceitar, as implicações de uma descoberta cientifica.

A ciência depende de todos os outros conhecimentos e nunca tem a resposta final, simplesmente porque ela mesma se revisa a todo momento em busca de aprimoramento.

Quando se elimina a critica dos outros conhecimentos sobre a ciência ao invés de criar mais conhecimento, aumenta­-se a ignorância.

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